Quando a terceira garota, em uma semana, chegou a mim e repetiu as mesmas palavras: "você deveria prestar atenção nessa propaganda!", eu não só dei uma risadinha como das outras vezes, mas também fiquei um pouco confuso. Talvez elas tenham razão.
Lógico que desde o primeiro puxão de orelha eu prestei atenção. É mesmo bem interressante, aborda aspectos que todos nós conhecemos a respeito das mulheres, mas talvez nunca tenhamos analisado com alguma atenção. A inteligência sutil do comercial só poderia ter sido capturada do universo particular das mulheres por um homem, com certeza, pensei. Passei longe! A diretora do filme, Carolina Jabor, é filha do grande Arnaldo Jabor, não só o mestre dos comentários anti-tio-sam no Jornal Nacional mas também um apreciador das relações afetivas humanas, o que ajusta a situação à necessidade de uma mente brilhante masculina por trás de tudo.
Como o comercial é voltado à massa mais cheirosa da população, o clichê "toda mulher é igual" cai por terra quando é mostrado que, entre outras situações, enquanto umas mulheres se arrumam em 15 minutos, outras demoram duas horas para se compor antes de sair. A intenção é que todas se sintam únicas, e é visualizado na pele das minas lindas e elegantes - mesmo que usando uma sandalinha sem-vergonha - do comercial, o que confirma uma tendência comportamental mundial: o voyerismo (algo como look to feel) e que ainda tenham a vontade irresistível de comprar. Sentimento esse que, na minha opinião, deveria ser um crime inafiansável triplamente qualificado: vontade de comprar devastadoramente, por motivos fúteis e sem dar condição ao pai ou marido de se defender .
Mas calma, o que eu estou querendo dizer não é o que parece, afinal vocês mulheres são tão diferentes umas das outras que enquanto umas adoram sandalinhas baixas, e as possuem em todas cores, outras vão até à academia de salto alto. Uhh! Não sei como esse comercial funciona, mas funciona. Talvez por simplesmente explorar uma vulnerabilidade metafísica intrísica à mente feminina: a capacidade de sonhar, de se imaginar nas mais adversas situações, simplesmente por possuir isto, ou por aquilo ter acontecido. Com certeza Aristóteles ficaria chocado se tivesse considerado também as mulheres como seres pensantes!
Mas também não precisa ficar ai nervosinha, afinal os homens também são claramente todos iguais. Quando não estamos falando de futebol nem olhando para o carro do vizinho ou do amigo, estamos pensando em vocês! É, isso mesmo. Mas claro que não da mesma forma que vocês pensariam em nós. Estou falando sobre semelhanças, e não diferenças. Ainda bem né, senão como eu iria dedicar um post inteiro à vocês mulheres?
quarta-feira, 23 de abril de 2008
sábado, 5 de abril de 2008
Teorema Geral dos Cordões de Prata
Anéis, cordões, pulseiras, pingentes, brincos: A onda da galera é se cobrir de prata, quanto mais melhor. Será que há alguma relação com o misticismo, com o sobrenatural, sensação de poder, personalidade? Pura opção individual de adorno, almejo de uma posição de destaque no bando ou pressão social para não ficar fora dele?
Desde os primórdios do neolítico a sua fundição já era conhecida, mas o seu uso não era importante pois não possuia a rigidez de outros metais, usados como ferramentas e armas. A prata então, passou a ter valor ao ser usada, ao lado do ouro, na cultura de vários povos para fins religiosos. Acreditava-se que era material excretal do deus Lua, como o ouro, do deus Sol. Assim, essas forças vindas de seres celestes podiam ser usadas para a proteção humana contra as impurezas terrestres. Aposto que você imaginava que as balas de prata, armas mortais contra lobisomens e feiticeiras, eram coisas recentes, parte integrante apenas dos filmes toscos do InterCine. Mas eu apostaria algumas das minhas fichas em dizer que aquele seu amiguinho que usa um cordão que o deixa corcundo não acredita em bruxas, tampouco faz sacrifícios à Lua.
No caso dos hermanos mexicanos, com suas raízes astecas, poderia ser explicável o gosto pelos grossos cordões de prata. Afinal, seus ancentrais também eram apreciadores do metal, seja para sacrifícios religiosos ou por identificação de poder. Não tão distante no tempo, com a imigração, a prata entrou nos EUA e teve uma ligação forte com a informalidade, em contrapartida ao ouro, sempre associado a grande poder financeiro em qualquer lugar do mundo, e consequentemente, coisa de tiozão dando uma de bacana! Por conta dos negros também estarem ligados à informalidade e com a crescente afirmação social a que se expuseram, hoje em dia principalmente por conta do rap e do hip hop, tudo se misturou. E nós aqui, bem longe? Ué, qualquer lugar que você for à noite, seja para tomar uma cerveja barata ou numa boate, ou até mesmo em casa num aquecimento para algum "rock", é quase certo que vai escutar hip hop (ou a nossa popular variação: o funk!), e provavelmente vai ver aos clipes e imagens dos negões americanos sem camisa, nos carros mais caros, cheios de cordões com pingentes de cifrão e ainda rodeados de mulheres com peitos que não cabem nas blusas.
Particularmente, eu considero o cara que encabeça o grupo 50 cent o maior ícone do "eu tenho diamantes, dolares, carros e mulheres, e você com certeza me inveja e queria estar no meu lugar". E não precisa entender nem mesmo hello em inglês para saber do que as letras se tratam, está tudo nos seus olhos. Seguindo essa linha genial de raciocínio, fica clara toda a ligação da imagem que os carinhas pretendem gerar - mesmo sem se dar conta - com o uso de um cordão de prata, e que as gurias se amarram!
Não pense que eu me baseio em "achismos" para chegar a tais conclusões. Me baseio em padrões comportamentais fortemente presentes em um amostragem cuidadosamente selecionada, onde pessoalmente colhi depoimentos na praia - usando a técnica do pescoção somado à sonseira - de pelo menos 15 grupos de meninas na faixa de 17-20 anos, que conversando entre si discutiam sobre os "valores" pessoais dos meninos ao redor, geralmente relógio da Nike, cordão e sunga branca da marca tal. Ainda colhi comentários de rodapé sobre "grossura de braços" e "com que carro ele veio".
A partir da especificação conceitual, cheguei a uma formalização matemática que deu origem ao Teorema Geral dos Cordões de Prata. Caso não credite total confiança em meus parágrafos anteriores, observe a prova definitiva num breve overview do teorema.
A composta Tesão, em função direta ao cordão que o indivíduo possue - representado por f(u), onde u é sua espessura -, é uma equação diferencial de segunda ordem da função cordão f em função do tempo que é utilizado com a função "K"arro, com as variáveis t e u, que são, respectivamente, o tempo em que o indivíduo fica dentro do seu carro por dia e a distância do chassis ao chão. A função cordão f pode ser observada com mais atenção a seguir.
Note que a grossura do cordão é inversamente proporcional ao ângulo correto da coluna do indivíduo, que pra compensar, tem de estufar o peitoral raspado à gillette que não caberia nem em um sutiã tamanho 46. A variável w diz respeito à carga de supino na academia, que possui limites de integração em infinito quanto ao peso e menos infinito quanto ao número de repetições do exercício. Na função exponencial, além de w, temos a capacidade t de tiração de onda multiplicado pelo coeficiente de brancura do sunga i.
Não recomende a leitura desse artigo científico à nenhum fã do 50 cent por motivos de proteção à minha integridade física.
Desde os primórdios do neolítico a sua fundição já era conhecida, mas o seu uso não era importante pois não possuia a rigidez de outros metais, usados como ferramentas e armas. A prata então, passou a ter valor ao ser usada, ao lado do ouro, na cultura de vários povos para fins religiosos. Acreditava-se que era material excretal do deus Lua, como o ouro, do deus Sol. Assim, essas forças vindas de seres celestes podiam ser usadas para a proteção humana contra as impurezas terrestres. Aposto que você imaginava que as balas de prata, armas mortais contra lobisomens e feiticeiras, eram coisas recentes, parte integrante apenas dos filmes toscos do InterCine. Mas eu apostaria algumas das minhas fichas em dizer que aquele seu amiguinho que usa um cordão que o deixa corcundo não acredita em bruxas, tampouco faz sacrifícios à Lua.
No caso dos hermanos mexicanos, com suas raízes astecas, poderia ser explicável o gosto pelos grossos cordões de prata. Afinal, seus ancentrais também eram apreciadores do metal, seja para sacrifícios religiosos ou por identificação de poder. Não tão distante no tempo, com a imigração, a prata entrou nos EUA e teve uma ligação forte com a informalidade, em contrapartida ao ouro, sempre associado a grande poder financeiro em qualquer lugar do mundo, e consequentemente, coisa de tiozão dando uma de bacana! Por conta dos negros também estarem ligados à informalidade e com a crescente afirmação social a que se expuseram, hoje em dia principalmente por conta do rap e do hip hop, tudo se misturou. E nós aqui, bem longe? Ué, qualquer lugar que você for à noite, seja para tomar uma cerveja barata ou numa boate, ou até mesmo em casa num aquecimento para algum "rock", é quase certo que vai escutar hip hop (ou a nossa popular variação: o funk!), e provavelmente vai ver aos clipes e imagens dos negões americanos sem camisa, nos carros mais caros, cheios de cordões com pingentes de cifrão e ainda rodeados de mulheres com peitos que não cabem nas blusas.
Particularmente, eu considero o cara que encabeça o grupo 50 cent o maior ícone do "eu tenho diamantes, dolares, carros e mulheres, e você com certeza me inveja e queria estar no meu lugar". E não precisa entender nem mesmo hello em inglês para saber do que as letras se tratam, está tudo nos seus olhos. Seguindo essa linha genial de raciocínio, fica clara toda a ligação da imagem que os carinhas pretendem gerar - mesmo sem se dar conta - com o uso de um cordão de prata, e que as gurias se amarram!
Não pense que eu me baseio em "achismos" para chegar a tais conclusões. Me baseio em padrões comportamentais fortemente presentes em um amostragem cuidadosamente selecionada, onde pessoalmente colhi depoimentos na praia - usando a técnica do pescoção somado à sonseira - de pelo menos 15 grupos de meninas na faixa de 17-20 anos, que conversando entre si discutiam sobre os "valores" pessoais dos meninos ao redor, geralmente relógio da Nike, cordão e sunga branca da marca tal. Ainda colhi comentários de rodapé sobre "grossura de braços" e "com que carro ele veio".
A partir da especificação conceitual, cheguei a uma formalização matemática que deu origem ao Teorema Geral dos Cordões de Prata. Caso não credite total confiança em meus parágrafos anteriores, observe a prova definitiva num breve overview do teorema.
Não recomende a leitura desse artigo científico à nenhum fã do 50 cent por motivos de proteção à minha integridade física.
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