Oh, Admirável Mundo Novo! Então é isto que tens a oferecer-me? Homens de roupa cáqui para me servir e limpar as vias pelas quais trafego. Mulheres tratadas sem apego. Uma ocupação sem questionamentos e que eu deva chamar de trabalho, acompanhada da certeza de poder possuir tudo o que quero. Uma vida sem doenças, sem feiura e sem tristeza.
Mas onde está o direito do incerto? Eu o reclamo. Quero o inseguro e o medo autêntico. Quero me apaixonar e sofrer por amor. Quero contornar minhas fraquezas a suprimi-las. Quero sentir o tempo corroer minha pele e orgulhar-me de meus pais. Quero a tempestade para poder gozar da calmaria.
Mesmo que considerado um selvagem, não civilizado, quero não precisar do soma, sentir o sabor e o cheiro, e ouvir a melodia que sempre estivera presente. Nada sintético. Nada de plástico.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
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