segunda-feira, 16 de abril de 2012

Leonoreta, VI

Leonoreta,
fin'roseta,
deixo meus olhos fechados
sobre os acontecimentos.
 
Não te meta
en gran coita o meu amor:
 
podem, por todos os lados,
duros, tenebrosos ventos
quebrar muitas tentativas.
 
Mas, para que eterna vivas,
que é preciso?
Que pensem meus pensamentos.
 
E entre pólos inviolados,
entre equívocos momentos,
vem e volta a vida humana,
que se engana e desengana
em redor do Paraíso.
 
Branca sobre toda flor,
a Verônica levanto,
num transparente estandarte:
celebro por toda parte
a alegria de adorar-te
com o meu pranto.


Cecília Meireles

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Queria saber

Hoje não tem estrela no céu. Bateu aquele vento, e por um momento, hesitei em ir ou ficar mais um pouco. Acabei ficando, e me perguntando o que estariam fazendo elas, as estrelas, quando não as vejo.

Mas tolo pensador, noto que sou. Logo realizo que estiveram sempre ali, no mesmo lugar. E vão continuar, mesmo que eu não as veja, reservadas.

Me pergunto, desta vez, se tem consciência de que desejo admira-las. Queria saber. Por que razão não haveriam de ter? Talvez não haja razão que explique. 

Para ter sabedoria, não é preciso ter razão, basta sentir. E sábias são elas, as estrelas, que por todo o tempo estiveram em sua incansável vigilia. Inocente, eu, confiando no saber da razão, imaginando que ao longe se escondiam, quando era perto dos meus olhos que as nuvens se acomodavam.