Preto sobre o branco à um observador passageiro. Cada traço, singular a quem o desenha. Podem as cores abrir uma brecha por onde escorrem características únicas de personalidade quando ninguém tem muito o que mostrar? Ser diferente sendo mais igual, pode ser uma saída. Uma luz no fim do túnel. Nada mais que palavras manjadas, bastando serem ditas por outro locutor para já se tornarem diferentes.
Acho que precisamos nos expor mais. Talvez eu, em especial, devesse. Nada mal uma exposição para dentro. Pequena amostragem. Estar sob o spot light do próprio quarto. Sim, deve funcionar. Linhas imaginárias prendem-se ao exterior do corpo, quase se soltam com vida própria, e faz a pele se confundir com as vestes - se ainda as tem. Claramente libertam algo de dentro, valor que o guardião guardava com afinco, mas sem saber o que era. Simplesmente guardava, mas agora é exposto por si só, tem desejos próprios, faz escolhas e conversa com estranhos.
Como dizer mais sobre nós com o que fizera outro? Às vezes encontra, e então encaixa sobre a derme. Ignora os pelos, o cheiro, e o que podia tornar único o que de longe parece igual. Mas me digam o que todos estão buscando! Também quero ser diferente! Não quero mais sentir nem ver nada. Se me diz que está ali, então está.
Dizem que é bom pra mim. Que cura o mal olhado, melhora a alto estima. Até pra levantar os ares depois do fim do casamento, com filhos ou não, é bom. Como um tapa na cara. Mas se você não quer ser diferente com o mínimo de esforço, lamento. Você é igual a todo mundo. Eu não, quero ser diferente. Me diga o caminho que todo mundo segue. Me mostre o desenho que todos escolhem. Indique o estilo do traço mais popular. Não é assim que todos querem ser diferentes?
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário