sábado, 5 de abril de 2008

Teorema Geral dos Cordões de Prata

Anéis, cordões, pulseiras, pingentes, brincos: A onda da galera é se cobrir de prata, quanto mais melhor. Será que há alguma relação com o misticismo, com o sobrenatural, sensação de poder, personalidade? Pura opção individual de adorno, almejo de uma posição de destaque no bando ou pressão social para não ficar fora dele?

Desde os primórdios do neolítico a sua fundição já era conhecida, mas o seu uso não era importante pois não possuia a rigidez de outros metais, usados como ferramentas e armas. A prata então, passou a ter valor ao ser usada, ao lado do ouro, na cultura de vários povos para fins religiosos. Acreditava-se que era material excretal do deus Lua, como o ouro, do deus Sol. Assim, essas forças vindas de seres celestes podiam ser usadas para a proteção humana contra as impurezas terrestres. Aposto que você imaginava que as balas de prata, armas mortais contra lobisomens e feiticeiras, eram coisas recentes, parte integrante apenas dos filmes toscos do InterCine. Mas eu apostaria algumas das minhas fichas em dizer que aquele seu amiguinho que usa um cordão que o deixa corcundo não acredita em bruxas, tampouco faz sacrifícios à Lua.

No caso dos hermanos mexicanos, com suas raízes astecas, poderia ser explicável o gosto pelos grossos cordões de prata. Afinal, seus ancentrais também eram apreciadores do metal, seja para sacrifícios religiosos ou por identificação de poder. Não tão distante no tempo, com a imigração, a prata entrou nos EUA e teve uma ligação forte com a informalidade, em contrapartida ao ouro, sempre associado a grande poder financeiro em qualquer lugar do mundo, e consequentemente, coisa de tiozão dando uma de bacana! Por conta dos negros também estarem ligados à informalidade e com a crescente afirmação social a que se expuseram, hoje em dia principalmente por conta do rap e do hip hop, tudo se misturou. E nós aqui, bem longe? Ué, qualquer lugar que você for à noite, seja para tomar uma cerveja barata ou numa boate, ou até mesmo em casa num aquecimento para algum "rock", é quase certo que vai escutar hip hop (ou a nossa popular variação: o funk!), e provavelmente vai ver aos clipes e imagens dos negões americanos sem camisa, nos carros mais caros, cheios de cordões com pingentes de cifrão e ainda rodeados de mulheres com peitos que não cabem nas blusas.

Particularmente, eu considero o cara que encabeça o grupo 50 cent o maior ícone do "eu tenho diamantes, dolares, carros e mulheres, e você com certeza me inveja e queria estar no meu lugar". E não precisa entender nem mesmo hello em inglês para saber do que as letras se tratam, está tudo nos seus olhos. Seguindo essa linha genial de raciocínio, fica clara toda a ligação da imagem que os carinhas pretendem gerar - mesmo sem se dar conta - com o uso de um cordão de prata, e que as gurias se amarram!

Não pense que eu me baseio em "achismos" para chegar a tais conclusões. Me baseio em padrões comportamentais fortemente presentes em um amostragem cuidadosamente selecionada, onde pessoalmente colhi depoimentos na praia - usando a técnica do pescoção somado à sonseira - de pelo menos 15 grupos de meninas na faixa de 17-20 anos, que conversando entre si discutiam sobre os "valores" pessoais dos meninos ao redor, geralmente relógio da Nike, cordão e sunga branca da marca tal. Ainda colhi comentários de rodapé sobre "grossura de braços" e "com que carro ele veio".

A partir da especificação conceitual, cheguei a uma formalização matemática que deu origem ao Teorema Geral dos Cordões de Prata. Caso não credite total confiança em meus parágrafos anteriores, observe a prova definitiva num breve overview do teorema.

A composta Tesão, em função direta ao cordão que o indivíduo possue - representado por f(u), onde u é sua espessura -, é uma equação diferencial de segunda ordem da função cordão f em função do tempo que é utilizado com a função "K"arro, com as variáveis t e u, que são, respectivamente, o tempo em que o indivíduo fica dentro do seu carro por dia e a distância do chassis ao chão. A função cordão f pode ser observada com mais atenção a seguir.

Note que a grossura do cordão é inversamente proporcional ao ângulo correto da coluna do indivíduo, que pra compensar, tem de estufar o peitoral raspado à gillette que não caberia nem em um sutiã tamanho 46. A variável w diz respeito à carga de supino na academia, que possui limites de integração em infinito quanto ao peso e menos infinito quanto ao número de repetições do exercício. Na função exponencial, além de w, temos a capacidade t de tiração de onda multiplicado pelo coeficiente de brancura do sunga i.

Não recomende a leitura desse artigo científico à nenhum fã do 50 cent por motivos de proteção à minha integridade física.

Um comentário:

Unknown disse...

É... esse post foi muito didatico. Mas acho q a parte que mais tirei proveito foi do inicio... eu sempre ficava imaginando pq os lobsomens so morriam com balas de prata... acho q os filmes nunca explicam isso.. ou eu é to sempre dormindo nessa hora... =p

bj!