Eu de pé, a meio metro da tevê. O Jornal da Globo foi emocionante! Como o leitinho quente para dormir, mas com uma dose escondida de vódica, foi o resumão da lambança que nos veio à tona ontem e hoje. Os nomes de Dantas, Nahas e Celso Pitta escondidos atrás de 3 bilhões de reais em paraísos fiscais, nos permitem tratar os mensaleiros do valerioduto, com seus 30 ou 40 mil por mês, como mendigos! Coitadinho do Roberto Jefferson.
Seguindo o roteiro, como que ensaiado, o pai do pobre menino baleado pela polícia carioca fala sabia e corajosamente de leis e policiais, ambos antiquados e despreparados, pegando-nos desprevinidos quando esperávamos um berro iniciado por "Ahh, meu filho!". Para caprichar na dose de equívocos, o governador do Rio, em entrevista para cumprir a obrigação de dar uma resposta à todos pelo mal entendido, diz enfezado que os peêmes, além de expulsos, serão julgados com tudo que têm direito, como se pôr em cana um punhado de policiais que ganham uns salários mínimos pudesse ser considerado resolução de alguma coisa.
Para terminar a sessão descarrego, ainda tive que ver a cara do presidente, como um molusco fora d'água, em reunião do G5, como uma frente à reunião do G8. Em paralelo, reuniões com líderes sulamericanos e com W. Bush: será que dá pra imaginar um presidente, o qual, nunca na história desse país foi tão zuado em programas humorísticos de tevê e rádio, conversando a sós como o presidente norte-americano? Por mais que você imagine a minha cara de deboche - principalmente os que me conhecem! -, digo seriamente que estes problemas são superficiais quando comparados aos de paises ditos desenvolvidos e ao próprio problema maior em que batemos cabeça há anos: o despreparo (algumas vezes entendido aqui como "desvontade") em exercer um cargo, qualquer que seja, prefeito, presidente ou pessoas comuns, por nós mesmos. Nosso líder máximo não sabe o nosso idioma; governadores e prefeitos das maiores capitais sempre envolvidos em falcatruas (Pitta e Maluf em SP; Garotinho no RJ e até José Ignácio por aqui); e a gente mesmo, vive reclamando dos salários de vereadores e do judiciário. Por mim, se fizessem o que são propostos a fazer, deveriam ganhar mais, afinal, muito empresário astuto não ficaria satisfeito com o mesmo, e com justiça. Acho que dentre todos os brasileiros, o Fernandinho Beiramar é um dos únicos que conduziu sua carreira pública com brilhante destreza.
Ainda no jornal, com o anúncio do final do último bloco, tive a sensatez de desligar o televisor para, além de não perder o insight, não precisar de ver a cara de desânimo dos âncoras distribuindo o espetáculo circense diário para o país na forma de futebol. Se, como na Roma Antiga, pudessem distribuir também o pão, o fariam. Pena que o preço do trigo está lá em cima!
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